13.1.10

Os fantasmas do Rock n’ Roll.

Imaginem um mundo mágico, onde tudo é possível e somos imortais. Eis o tão sagrado Rock n’ Roll. Infelizmente, meus caros, vocês, assim como eu, nasceram em uma época em que este tão precioso mundo estava em coma e hoje, jaz em seu último suspiro.


Eu passei minha vida sonhando com este mundo, eu olhava Renato Russo, Kurt Kobain, Jimmy Hendrix e Boby Dylan, eu sonhava em tomar seu lugares, em usar tantas drogas quanto os quatro juntos e sobreviver a quantas overdoses fossem nescessárias.

Eu tinha o estranho objetivo de me suicidar lentamente e morrer aos 33.

Mas eu jurava que até os 33 eu teria toda a glória possível. Eu seria um Roqueiro.

Mas tudo é mais bonito visto de fora...


Eu bebia e exagerava, odiava o gosto amargo do vômito, odiava a tonteira, odiava as besteiras que fazia... Eu tomava pílulas e tinha uma onda muito boa, quem já tomou sabe do que falo, mas odiava os efeitos colaterias, odiava sentir aquela ânsia avassaladora e não poder coloca pra fora, tentava comer mas não podia...

Eu fumava o que podia e adorava sentir entrar e sair fumaça de mim, dava até um status, mas odiava a sensação de estar crescendo um câncer em meu pulmão, odiava a senssação de queimado na garganta, o pigarro, as tosses, o sangue quando tossia e as dores no peito...

Mas eu tinha um objetivo e não podia parar... Eu queria ser Roqueiro!


Me diz, seja quem for, o quanto já pararam para ouvir, de verdade, Van Halen, Led Zeppelin, Deep Purple, Metálica, Pink Floyd, Boby Dylan, Bowie, Hendrix e tantos outros?

Não apenas ouvir, mas sentir a guitarra implorar por sua atenção, sentir cada nota vibrar em seu corpo como se o guitarrista tocasse você e não um instrumento.

Sentir a eletricidade de uma Guibson passar pelo teu corpo, teus ossos e cada célula.

Isso é ter paixão pela música, ouvir por ouvir ou porque chama atenção, ouvir por ouvir ou porque outros o fazem, ouvir por ouvir ou por que isso da algum tipo de status... RIDÍCULO!


Mas... Vale a pena tanto?

Valeu a pena beber tanto, fumar tanto, usar tantas drogas?

Valeu a pena brigar tanto, falar tanto e buscar desenfreadamente a morte?

Eu decidi que não valia a pena e larguei tudo isso.

Mas, quer saber?

Ainda sinto falta. Ainda pulsa em mim o sangue de Roqueiro e de suicida.

Ainda sou Marciano...


Eles ainda me perseguem...

Os fantasmas...

Vejo seus rostos todas as noites...

7.1.10

A Rotina

“A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O início é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto
A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta é rock

O coração é rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio

A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo

A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem sua beleza”

Autor desconhecido.
Poema declamado no comecial do perfume "Natura todo dia".

10.12.09

Nu

Teu corpo tem muitos nomes
Ora chama-se "Portões do Inferno",
Ora "Jardim da Sedução Celestial".
Depende do estado de espírito.

Teu corpo é um poema
Escrito com a pena do amor
E a tinta da libido,
Que quero ler eternamente.

Teu corpo é poema escrito em braile
E lendo-o, o dedilho noite toda,
Até que a morte nos separe!

Teu corpo é convite pra vida inteira
E meu corpo, é resposta!
Ambos são perfeitos quando um só...

22.10.09

Hello Nietzsche

Corram homens! Corram pois o dia do juízo final se aproxima e vem em grande velocidade.

Deuses montaram em suas nuvens e virão a todo galope para eliminar-vos da face da terra.

Lembrem-se homens, uma vida curta não é ruim se alcançarmos a glória eterna!

Não importa-me viver apenas 20 anos se isso resultar em 2000 nas páginas de livros.

O importante é viver na boca das gerações futuras, nas loucuras dos que ousam lembrar teu nome.

Sejais vitoriosos, não tremam perante um deus, pois vós sois um.

Não temam um poder maior, pois vós detém o poder da palavra e a mágica da loucura.

Dancem o perfume da tristeza e sinta o movimento dos pensamentos.

Deixe fluir seu corpo mórbido e levante-se na presença de uma caneta.

Crie deuses, julgue os mortais, construa leis e execute os supérfulos.

Sejais severos com os não merecedores de oxigênio.

Não se vos apiedais da corja pútrida que compõe a sociedade comtemporãnea.

Pois todos são dispensáveis.

Nós, boêmios, somos a perfeição humana. Nós, quais vampiros que somos, nos adaptamos a todas as épocas, sem perder a moral e a paixão pela vida.

Mesmo que enamoremos a morte.

Mas isto é uma outra história...


15.10.09

Manicômio Central



(Aos amados atores/amores)

O tablado mal encerado
Esquecido, apagado
É reanimado, com os pés
Dos amadores atores amantes,
Que atuam o amor real
Pelo teatro amador,

Que nos nossos sonhos, em nossas mãos,
Fazem-se tão melhor ou igual
A um prestigiado saibro profissional.

A gorda golfa de voz tímida
O engenheiro, que pro seu papel não precisa atuar
Os outros peixes que dão aula,
Em como ser homossexual, mesmo sendo
Um machão, cafajeste sem igual.

O cacto triste, que encanta com seu ballet taciturno
E volta como a intolerável Enguia.
Os outros Engenheiros que, em seus lugares,
Ninguém no mundo tão perfeito seria

A Madama Poluição, com seu vestido negro
Condizente com sua áurea/alma
Perfeita que é... E quando sai dos palcos
Transforma-se num poço de beleza e bondade.

O Tubarão que conquista dentro e fora do estrado.
Com toda a sua força e cara de mal,
Não passa de um bobo,
Um fiel e cego serviçal.

Os nordestinos que tomam conta da trama
O Urubu e o Goiamum que entretêm toda a gente
A Maria da Penha que viaja o país, por que ama
E o Severino, nordestino de sangue quente!

Sem esquecer todos os outros
Que dão vida às nossas palavras
Que completam as nossas falas
Dando-nos todo apoio
Que sempre precisamos...

Tudo isso, culpa do “Carneirinho Rosa”
Que em um colégio esquecido da arte, “Iversou” moda;
Deu-nos um enredo digno de nota
E cumulou num espetáculo foda e atual,
Que parou o Central do Brasil
Dando vida ao Manicômio Central.


Manicômio de E.T’s e mortais terrestres
Que reanimam o tablado mal encarado
Com os pés esquecidos,
Até subirem ao palco
E mostrarem um sonho amador,
Transformado pelos nossos atores amantes,
Num amado espetáculo profissional.

- Caio Pimenta.


Papel e Caneta

Foi quase sem querer,

Que fiz estes versos

Sem sentido para muitos.

Apenas por que me sinto

Seguro junto às palavras

Que saem de mim...

---&---



É de noite que tudo faz sentido

Quando o ziguezague da caneta

Encanta-me e excita.

Quando o som vibrante do silêncio

Agracia-me com palavras soltas ao ar...


E fico cá, imaginando uma vida...

Inúmeras vidas, na verdade.

Todas elas em minha mente

Todas elas inexistentes para o mundo

Mas insistentes na ponta do meu lápis.


Sinto meu coração apodrecer

Quando nada escrevo,

Como se houvesse um grande poder

Retido em meu interior

E, preciso descarregá-lo,

Em necessidade de minha continuação.

Sendo que, a única forma de liberá-lo

É com palavras escritas sob a luz

Da mais negra noite.


A poesia é o lume de minha vida |meu caminho|

A noite, por sua vez,

Oleiro de minha inspiração;

Tendo por molde,

A tempestade mais escura

E os milésimos de segundos guardados

Dentro de cada sorriso amigo;

Cada copo alcoolizado

E cada cigarro aceso...


Com uma caneta, símbolo de poder,

Sou Deus e, a poesia,

Meu Espírito Santo.


A recíproca, também se faz real.



Caio Pimenta.

19.08.2008 – 1:55am

(À Renato, um equilíbrio distante.)


Meus anjos deserdaram e morreram,

Uns de overdose, outros de AIDS.

Mas a grande maioria foi dizimada pela peste.

A peste da solidão.