Imaginem um mundo mágico, onde tudo é possível e somos imortais. Eis o tão sagrado Rock n’ Roll. Infelizmente, meus caros, vocês, assim como eu, nasceram em uma época em que este tão precioso mundo estava em coma e hoje, jaz em seu último suspiro.
Eu passei minha vida sonhando com este mundo, eu olhava Renato Russo, Kurt Kobain, Jimmy Hendrix e Boby Dylan, eu sonhava em tomar seu lugares, em usar tantas drogas quanto os quatro juntos e sobreviver a quantas overdoses fossem nescessárias.
Eu tinha o estranho objetivo de me suicidar lentamente e morrer aos 33.
Mas eu jurava que até os 33 eu teria toda a glória possível. Eu seria um Roqueiro.
Mas tudo é mais bonito visto de fora...
Eu bebia e exagerava, odiava o gosto amargo do vômito, odiava a tonteira, odiava as besteiras que fazia... Eu tomava pílulas e tinha uma onda muito boa, quem já tomou sabe do que falo, mas odiava os efeitos colaterias, odiava sentir aquela ânsia avassaladora e não poder coloca pra fora, tentava comer mas não podia...
Eu fumava o que podia e adorava sentir entrar e sair fumaça de mim, dava até um status, mas odiava a sensação de estar crescendo um câncer em meu pulmão, odiava a senssação de queimado na garganta, o pigarro, as tosses, o sangue quando tossia e as dores no peito...
Mas eu tinha um objetivo e não podia parar... Eu queria ser Roqueiro!
Me diz, seja quem for, o quanto já pararam para ouvir, de verdade, Van Halen, Led Zeppelin, Deep Purple, Metálica, Pink Floyd, Boby Dylan, Bowie, Hendrix e tantos outros?
Não apenas ouvir, mas sentir a guitarra implorar por sua atenção, sentir cada nota vibrar em seu corpo como se o guitarrista tocasse você e não um instrumento.
Sentir a eletricidade de uma Guibson passar pelo teu corpo, teus ossos e cada célula.
Isso é ter paixão pela música, ouvir por ouvir ou porque chama atenção, ouvir por ouvir ou porque outros o fazem, ouvir por ouvir ou por que isso da algum tipo de status... RIDÍCULO!
Mas... Vale a pena tanto?
Valeu a pena beber tanto, fumar tanto, usar tantas drogas?
Valeu a pena brigar tanto, falar tanto e buscar desenfreadamente a morte?
Eu decidi que não valia a pena e larguei tudo isso.
Mas, quer saber?
Ainda sinto falta. Ainda pulsa em mim o sangue de Roqueiro e de suicida.
Ainda sou Marciano...
Eles ainda me perseguem...
Os fantasmas...
Vejo seus rostos todas as noites...





